quinta-feira, 31 de março de 2011

Fugere Urbem

Para, pensa, pulsa
E promete, e procede, e progride
Assiste ao outdoor no coração de prédios
Vai, Babel dos povos e nações
Vai ser alguém na vida, em terras de lida, suor e solidão

Pandemônio de holocaustos 
Onde submergem seus nativos cativos
Devotos incautos
E pragmáticos sem dogmas
Fugindo do tráfego e do tráfico

Injusta, assusta, quem não acompanha o compasso
De teu samba, teu rock, teu pop hip-hop
No teu leito, o templo de Pan
É templo de Alah, Zeus, de Odin, Tupã,
E de todas as outras tribos que abdicam do penacho
Na transa transcedental de indistinguíveis fêmeas e machos

Condenados à demência que delimita distritos
Onde pretos e pobres não são bem-vindos
Condensados à grande massa anêmica
Do aborto gigante que se ergue
Assanha os céus e a tudo engole
E sapateia a ordem sob teu olhar
De mãe impiedosa no altar
Que é teu por direito, oh deusa Metrópole.

                                    T.S.Siqueira

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