quarta-feira, 24 de novembro de 2010

já me matei faz muito tempo 
me matei quando o tempo era escasso 
e o que havia entre o tempo e o espaço 
era o de sempre 
nunca mesmo o sempre passo 

morrer faz bem à vista e ao baço 
melhora o ritmo do pulso 
e clareia a alma 

morrer de vez em quando 
é a única coisa que me acalma



                     Paulo Leminski

...Luiza!

...o teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza.
                     Tom Jobim

anseios

Caminho rumo a caminhos que me descaminhem
À insegurança de um frio na barriga,
Ao último fôlego de quem desmaia

Procuro o melaço de alegria
Em um beijo salgado de praia
Que oblitere o amargor da solitude.

Desejo o fogo e o frescor
De uma paixão de juventude
Que ressuscite obsoletos corações.

Quero esbarrar no véu de luz
Que descortina o breu das ilusões
E me encantar como quem canta sorrisos.

Quero me entregar sem disfarces,
Sem máscaras, conselhos ou avisos.
Viver o inexplicável, o inadmissível.

Procuro carinho nos olhos,
Afago nas mãos e ao peito alívio,
No livre sacrifício de amizade

Procuro quem queira ocupar-se
No emprego da felicidade
Há muito esquecida...

Procuro um amor que dure uma vida.

                              T.S.Siqueira

love is all "we" need

Dê-me tudo mesmo quando não resta mais nada
Deixe-me louco por você quando nada estiver bem
Faça o amanhã quando o hoje estiver chato
Que eu farei o mesmo

"Je t'aimerai qu'importe le prix"

                   Comme un fils - Corneille

Respostas Secas

Não há mística razões dos porquês
Acaso não vês
O interino conteúdo da moldura
Que perdura
Em largos instantes
Avante
Consciente do fato
Que em um quarto
De hora ou de eternidade sua vida
Perdida
Estará no vão
Que não
Nos oferece outra sorte
Morte
Sem qualquer desacato
Contrato
Sequer lido
Mas vivido
Em desespero nato
Pois do seu retrato
Só restará a memória
Ecos na história...

                               T.S.Siqueira

Prece

Poesia de sarjeta
Peça um coração aos olhos que te vêem...
E vai!
Vai, poesia! Divaga e desagua lenta
Um pouco de alento
Às silenciosas solidões,
Aos ecos de mentiras sobressalentes

Ilude a nós, os Quixotes de noites bêbadas.
Gira devagar, maquiavélico "moulin rouge"
Esmaga, esmigalha, tritura a memória

Fragmentai-nos, monumental moinho de ventos,
E depois recolha-nos ao intrigante trigal de pensamentos
Que é leito deste lirismo parvo, ó poesia!

Recomponha, reconstitua, reconstrua,
Crescei-me
Elixir de ficções
Soberana de paixões
Meu sereno serendipismo

                                  T.S.Siqueira