de que matéria vive o homem,
que labareda o consome
na centelha de todo o medo
que o faz esquecer da fome
diante de maior segredo?
que pesar lhe irrompe na vida,
sua existência encolhida,
ao deparar-se com o peso,
que brota em despedida,
de não se escapar ileso?
morre o homem desde cedo
quando escorre entre os dedos
o instante que o enternece,
ao notar o triste enredo,
quando não mais se reconhece?
com agouro e com angústia,
pode amar à altura de suas dores?
sem credo e sem remédio,
lhe dói o descompasso de amores?
é cínico ou cênico o homem
quando lhe rasga o abdômen
tudo aquilo que não tem nome
e que, dentro de si, some
quando resta só, o homem?