quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Das insônias, febres e faces descoloridas

Que o luzir do farol da vida não me leve
aos romances descarnados do amar por amar,
no vão entre palavras vazias e marcas de batom.

Pois que o amor também mora nos silêncios.
Vive na louca poesia engasgada,
dança nos descompassos da respiração.

Mora no bater esgarçado de um coração.
Em um abraço rasgado de sonhos
e nos olhos que suspiram melodias.

O amor vive na fresta da porta de onde se vela o sono de quem se ama.

O meu amor mora nas ausências!

                       T.S.Siqueira

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Procura-se

Uma moça com o sorriso de aurora,
Olhos de entardecer
E alma de céu estrelado,
Para que em seu amor
Meus dias nasçam e morram.

                   T.S.Siqueira

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Caleidoscópio das insignificâncias

Confesso que me perdi por entre as quase dúvidas, a constante autoanálise, as ânsias pela metade e angústias inteiras.
Decidi me esconder nas frestas dessas palavras e então guardo nos cantos dos sorrisos as incertezas dos meus tormentos.
E me dou conta de como é visceral, mutilante e destrutivo.
É o nada, sereno, aberto e aterrorizante.
O sentimento de que se é uma peça de quebra-cabeças que se perdeu em um jogo que não é o seu.
A sensação de não pertencimento.
Falo dos abismos que me separam da conformidade.
Falo de solidão.
Não apenas a solidão dos romantismos exagerados e falhos.
Do amor, que chegue sem que eu o espere, entre sem fazer barulho e pé ante pé deite na cama onde durmo.
A solidão é além.
Eu falo da linguagem, dos gritos mudos, loucos, aos surdos, em que surto sem me perceber.
Um desejo que não deseja estar ali, uma vontade de ser ausente quando se está presente...
Me ouço em incompreensíveis canções criptografadas.
Assim como o Renato, já estou cheio de me sentir vazio.
Me reconheço em transcrições de um desajustado Belchior que se desespera.
Amar e mudar as coisas também é o que me interessa mais.
Me vejo em déjà vus de filmes de uma Sofia Coppola que me desenha abstrato nos quadros periféricos da inadequação.
Ou nos tragicômicos Woody Allens da vida, em que o riso é fácil na sátira ao homem que carrega buracos no peito.
Que a desesperança não me deixe carcomido, mas me pergunto: quem fará o palhaço sorrir?

                             T.S.Siqueira

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Como é perversa a juventude do meu coração
Que só entende o que é cruel, o que é paixão.

                  A.C.Belchior

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Tempo Rei

Enquanto o tempo me permuta,
tanto quanto me recorda
o quanto, tanto, me tortura,
borda quase tanto tempo,
que quanto menos tempo deixo
às lembranças de outrora,
tanto mais eu me permito
uma vida sem memória.

                 T.S.Siqueira

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Perco-me nestes desvãos de pensamentos,
neste querer não querendo, que lento,
que latente, lá dentro, em lamento,
delira e dilacera meu peito.
                                   
              T.S.Siqueira