terça-feira, 29 de março de 2011

Era Uma Vez Madrugada

Madrugada
O céu entorna anonimato
Sobre a noite que tombou seu véu

Poetas medíocres castigam seus dedos
Velhas sandias sussurram à escuridão seus segredos
Enquanto seus vizinhos do lado gemem baixinho

Dorme o sono dos justos o bom burguês
Na sua esquina, uma menor não entende francês
E o cliente procura outra no barzinho

Uma mãe sai de casa sem deixar rastro
Uma filha seduz o padrasto
Uma criança chora em uma casa vazia

Um avô tem o terceiro infarto
Outra mãe morre no parto
Outro filho para uma tia

Mulheres tristes velam seu marido morto
Um viúvo caminha pela casa absorto
O coveiro ronca sobre os jazigos

Gatos reviram lixeiras, cães uivam pra lua
No lixo, o jantar de um menino de rua
É partilhado com seus doze amigos

Alguns bêbados tropeçam em bandidos
Abatidos por outros bandidos
Na noite banal que sopra um beijo atrevido
E deixa a calamidade e o caos
Nos braços da alvorada.

Era uma vez madrugada.

                                     T.S.Siqueira

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