por terra abaixo, uma cidade que cresce,
desce, descompassada, e omissa se esquece,
desestrutura a sua própria envergadura
trocando as cores por um cinzento alicerce
em casas, praças e ruas abandonadas à tortura
em caixotes de pedra que apertam as fraturas
um fosso disposto em fartos apartamentos,
exposto em retratos a requebrarem os fatos
cobrando as dívidas e os arrependimentos
que entupirão seus esgotos até um infarto.
porque é teimosa e dura! dura, dura arquitetura
que mal ajambrada ainda assim se arquiteta
sem saber que nem mesmo a saudade é concreta,
sem saber que essas flores de aço e cimento
já não sabem guardar nenhum sentimento.
t.s.siqueira
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