ando recolhendo os cacos e soltando serpentinas
bato continência ao futuro e sento praça.
tiro do cabide e vai na cara uma graça amarela
manhãs de abril, de mornos sussurros e beijos bem-vindos.
vento sereno me aparta qualquer veneno.
e sei: de calor e vontade fugaz não se corre atrás
e sei: de calor e vontade fugaz não se corre atrás
salguei minha tristeza no pranto do atlântico
e no mais a mais, ando por temperar a existência
juntando paz na melodia da ternura.
ind'assim, eu rio com largura em curvas desoladas
desse rio que passou em minha vida
(salve paulinho, que é esse cabedal que me salva
de me afogar em prosa, embriagar desnecessidades)
cuido apenas de jantar os delírios
desse rio que passou em minha vida
(salve paulinho, que é esse cabedal que me salva
de me afogar em prosa, embriagar desnecessidades)
cuido apenas de jantar os delírios
anuncio o meu samba lá nas meninas gerais
as ruínas alvissareiras pra quem um dia se perdeu,
a doença que me aflige é por querer amar demais,
se é cena, se é sonho, se é sina ou se é ela
se é cena, se é sonho, se é sina ou se é ela
a pedra primeira atire quem nunca ergueu a própria cela
perpétua suspensão pra qualquer dor desperta
acordai os sorrisos e os empurrem aos caminhos
na pouca elegância que me escapa em palavras
abismo raso à espera de incautos
i must be a lover.
t.s.siqueira
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