apenas um rapaz latino-americano. muito cansado de não poder falar palavra sobre essas coisas sem jeito que eu trago em meu peito. os pés cansados e feridos de andar légua tirana e lágrima nos olhos de ler o pessoa e ver o verde da cana. eu sinto tudo na ferida viva do meu coração.
sonho e escrevo em letras grandes, de novo, pelos muros do país. ano passado eu morri, mas esse ano
eu não morro. no presente a mente, o corpo é diferente e o passado é uma roupa que não nos serve mais.
marginal bem sucedido e amante da anarquia, eu não sou renegado sem causa. e uma dose de amor, esse artigo sempre em falta, cairia muito bem em mim. aí um analista amigo meu disse que desse jeito não vou ser feliz direito porque o amor é mais profundo que um encontro casual. mas eu não estou interessado em nenhuma teoria. não quero regra nem nada. não preciso que me digam de que lado nasce o sol. viver é melhor que sonhar e eu sei que o amor é uma coisa boa. amar e mudar as coisas me interessa mais.
a vertigem, o abismo, me atrai, é esta a minha brincadeira. talvez eu morra jovem. sempre é dia de ironia no meu coração. algum punhal de amor traído completará o meu destino. palavra e som são meus caminhos pra ser livre.
você não sente nem vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo. eu sou como você. que ficou desnorteado, como é comum no seu tempo. e que ficou desapontado, como é comum no seu tempo. que ficou apaixonado e violento. você sabe bem, conheço meu lugar. mas não se preocupe com os horrores que eu lhe digo. ando mesmo descontente. o tempo andou mexendo com a gente sim. a vida realmente é diferente. quer dizer, a vida é muito pior.
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