domingo, 8 de agosto de 2010

Entre o Mar e Eu

Vagalhões, quebrem aos recifes
Quebrem senhores corações cotidianos
E que o mar arrote satisfeito
Os desgostos, dissabores, dissolvido em teu leito
          De bardos medíocres e imperfeitos.

Vaguem vagalhões, rogo,
E guiem minhas lágrimas dissolutas,
Nestes vagos, complicados e densos caminhos,
Da fascinante opereta das marés
         Ao lodaçal disforme de um convés.

Vagalhões, suntuosos vagamundos,
Afoguem de beleza, engasguem de morte,
Estes vagabundos que sufocam nas praias,
Inebriados pelo cheiro salgado, místico, reconfortante
          De utopias navegantes.

Valentes vagalhões, suplico:
Metralhem as costas pesadas, as pulsações covardes,
Quebrem-me as pernas e me façam fênix,
No batismo impuro de olhos salinos e pés sobre a areia
          Onde minh'alma corsária passeia.

Choram os vagabundos.
Poetas putrefatos à beira-mar.

[Esta mão, pena de poeta decrépito
Pluma de coroa fúnebre
Esta mão:
Sinto-a em decomposição]

O mar sussura-me os sacrifícios dos tempos,
Sibila saudades, serena-me o peito
E na surdina, surrupia meus sacrossantos segredos.
                                                
                                     T.S.Siqueira

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