quinta-feira, 20 de novembro de 2014

sempre sonhei vida em meio a secura
à margem do mundo, conservo bem a minha loucura
escrevo cartas amiúdes tratando de perplexidade e fé
há uma rosa desperta a nascer sob meu travesseiro
engolindo seco, se alimenta de distâncias e reticências.
girando ao redor do mesmo lugar onde agora sou
estar longe é o esforço de negar o querer
quando se quer a esperança de se achar mais perto
brotam inexplicáveis exclamações na sola do pé
tão gasto como os sapatos é o tempo
quanto mais se vive, tanto mais se morre
um epitáfio prescrito em todas as testas
ciência maior que o mistério não há
no interrogatório das horas, no relógio a oração
haverá alguém imune ao desatino de viver?

t.s.siqueira

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