segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

madrugada camponesa

madrugada camponesa,
faz escuro ainda no chão,
mas é preciso plantar.
a noite já foi mais noite,
a manhã já vai chegar.
não vale mais a canção
feita de medo e arremedo
para enganar solidão.
agora vale a verdade
cantada simples e sempre,
agora vale a alegria
que se constrói dia-a-dia
feita de canto e de pão.
breve há de ser
(sinto no ar)
tempo de trigo maduro.
vai ser tempo de ceifar.
já se levantam prodígios,
chuva azul no milharal,
estala em flor o feijão,
um leite novo minando
no meu longe seringal.
já é quase tempo de amor.
colho um sol que arde no chão,
lavro a luz dentro da cana,
minha alma no seu pendão.
madrugada camponesa.
faz escuro (já nem tanto),
vale a pena trabalhar.
faz escuro mas eu canto;
porque a manhã vai chegar.

thiago de mello, em "faz escuro mas eu canto".

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