quarta-feira, 13 de junho de 2012

tudo ao mesmo tempo agora

Melancolia é coisa duvidosa. Não se sabe ainda se é vontade de futuro ou lamento de passado.
O que sei é que toda melodia me parece triste e meus olhos, subversivos, entregam, o que consinto, insisto, em não me entregar.

Falar de amor é tão vão e profundo. 
A gente sabe o que quer, a gente sabe o que ama, a gente sabe da vida, a gente só não sabe saber.
Talvez por isso seja tão mais fácil rimar amor com dor.
É tão difícil caminhar para frente quando a cabeça insiste em olhar para trás.
O novo te faz recuar até à decrepitude em que a coragem se enterra.

"Mas sabe lá, o que é morrer de sede em frente ao mar?"
E não pode ser. Não dá pra ser.
Sol e lua se sucedem, mas não se descobrem, não se percebem...
A vilania da natureza é fazer com que um persiga o outro durante toda a eternidade sem ao menos se tocarem.
Sem ao menos...

Os relógios giram, os refúgios acabam, as idéias avançam, os outros vão e eu permaneço aqui.
Os ventos mudam e eu, teimosamente, não.
Dançamos no mundo a música do medo.
Da fome ferina pelo outro.
Da farsa furiosa do fingir que ferro somos.
Até as cortinas revelarem o seu patético espetáculo.

E de quem tanto se espera, por esperar tempo demais, uma hora vai embora.
E todo aquele carinho contido, beijo clichê e sonho velado, escorrem pelo ralo da desilusão.

"I can't live with or without you..."

T.S.Siqueira

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