sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Caleidoscópio das insignificâncias

Confesso que me perdi por entre as quase dúvidas, a constante autoanálise, as ânsias pela metade e angústias inteiras.
Decidi me esconder nas frestas dessas palavras e então guardo nos cantos dos sorrisos as incertezas dos meus tormentos.
E me dou conta de como é visceral, mutilante e destrutivo.
É o nada, sereno, aberto e aterrorizante.
O sentimento de que se é uma peça de quebra-cabeças que se perdeu em um jogo que não é o seu.
A sensação de não pertencimento.
Falo dos abismos que me separam da conformidade.
Falo de solidão.
Não apenas a solidão dos romantismos exagerados e falhos.
Do amor, que chegue sem que eu o espere, entre sem fazer barulho e pé ante pé deite na cama onde durmo.
A solidão é além.
Eu falo da linguagem, dos gritos mudos, loucos, aos surdos, em que surto sem me perceber.
Um desejo que não deseja estar ali, uma vontade de ser ausente quando se está presente...
Me ouço em incompreensíveis canções criptografadas.
Assim como o Renato, já estou cheio de me sentir vazio.
Me reconheço em transcrições de um desajustado Belchior que se desespera.
Amar e mudar as coisas também é o que me interessa mais.
Me vejo em déjà vus de filmes de uma Sofia Coppola que me desenha abstrato nos quadros periféricos da inadequação.
Ou nos tragicômicos Woody Allens da vida, em que o riso é fácil na sátira ao homem que carrega buracos no peito.
Que a desesperança não me deixe carcomido, mas me pergunto: quem fará o palhaço sorrir?

                             T.S.Siqueira

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