terça-feira, 5 de julho de 2011

um amor em sete cores

Leila ardia. Não conseguia mais fazer qualquer coisa que fosse. Dedicava seus dias à uma adoração cega de uma paixão desmedida. A mãe já não sabia o que fazer. Os castigos já não funcionavam. Tampouco as severas surras aplicadas pelo pai. Mas Leila ainda ardia. As amigas passaram a ignorá-la. O pai levava e trazia a garota do colégio para casa, único passeio permitido à ela naqueles tempos. Mas a gaiola construída pelos pais não a prendia. E Leila ardia. Na rua, já era mal falada. Na escola, ninguém a cumprimentava. A madre superiora chamou-lhe para um sermão e pouco adiantava. Ainda Leila ardia. Em um descuido dos pais, um jantar de bodas, a casa vazia, as portas trancadas, propostas indecentes sussurradas nas janelas. Um leve descuido e Leila fugiu. A família, se reputação ainda tinha, não mais se refez. O pai acusou a mãe. A mãe cumpriu sentença: barbitúricos. O viúvo não vivia, de desgosto perecia. Em algum canto do mundo, com a amante, em amor Leila ardia.

                   T.S.Siqueira & L.Carvalho

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